Lonely (but not when you’re with me)

DaĂ­ vocĂȘ se vĂȘ com vinte e poucos anos e Ă© cobrada, de diversas maneiras, para crescer. O problema Ă© que ninguĂ©m te explica exatamente o que Ă© isso ou como fazer. VocĂȘ fica Ă  prĂłpria sorte imaginando se crescer Ă© sair da casa dos seus pais, aprender a dirigir, assistir master chef enquanto bebe uma taça de vinho ou consumir coisas teoricamente feitas para a sua faixa etĂĄria. Mas aĂ­ Ă© que tĂĄ! VocĂȘ tem vinte e poucos anos e olha outras pessoas que tambĂ©m tĂȘm vinte e pouco anos, que se acham adultas e fazem coisas de adulto, e pensa: isso Ă© tĂŁo chato.

Te dizem que vocĂȘ nĂŁo tem mais idade para assistir tal sĂ©rie, para ouvir tal mĂșsica e ser fĂŁ de tal artista. AtĂ© um certo ponto vocĂȘ concorda e â€œĂ©, realmente, vamos superar isso”. PorĂ©m vocĂȘ continua gostando de tudo o que vocĂȘ gostava antes, mas em segredo. Com certeza vĂŁo tirar sarro da sua cara se vocĂȘ insistir muito naquilo. Afinal, ninguĂ©m tem mais paciĂȘncia para te ouvir falando daquela boyband.

Nesse mundo dos adultos, infelizmente, nada te deixa tĂŁo animado ou feliz quanto ver essa tal boyband ganhando prĂȘmios e lançando mĂșsicas novas. Nada parece tĂŁo interessante quanto o novo episĂłdio daquela sĂ©rie que vocĂȘ tem certeza que sĂł vocĂȘ e todas as garotas de quinze e dezesseis anos assistem. É algo que te deixa feliz, entĂŁo vocĂȘ continua.

O que esquecem de te contar Ă© que vocĂȘ deveria mandar a todos que te acham infantil Ă  merda. NinguĂ©m paga suas contas e, nessa altura do campeonato, esse Ă© o mĂ­nimo que alguĂ©m tem que fazer antes de dar pitaco na sua vida. Aos poucos, vocĂȘ percebe que nĂŁo estĂĄ tĂŁo sozinha assim, que tem outras mulheres de vinte e poucos anos que tambĂ©m gostam das mesmas coisas que vocĂȘ e que tambĂ©m estavam inseguras com isso. No fim, crescer nĂŁo tem nada a ver com o que vocĂȘ gosta ou deixa de gostar e, sim, quando vocĂȘ para de se importar com o que os outros dizem.

E tĂĄ tudo bem.